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Pe. Piero Gheddo (P.I.M.E.) sobre a vida do Papa João na única edição de outubro de 2000 dos "Missionários do P.I.M.E."

QUANDO QUEM MANDA É O SACRISTÃO

Famiglia di Angelo Roncalli

 

Ele estudou muito, talvez demais para o seu povo bergamasco. Camponeses de muita fé que vieram prestigiar a sua primeira Missa e para ouvi-lo. E ele, que os conhecia bem, não queria desiludi-los. Assim pediu ao sacristão. Ângelo José Roncalli, o futuro João XXIII, nasceu em Sotto il Monte (Bergamo)  no dia 25 de novembro de 1881, quarto de 13 irmãos e irmãs e primeiro macho da família. A família Roncalli goza de fama pela grande religiosidade e os filhos são educados através do exemplo e da disciplina familiar: rosário e orações da noite comunitários, amor e harmonia acompanham a dura fadiga dos campos. Naquele tempo, em Sotto il Monte, a escola somente oferecia as primeiras três séries do primeiro grau; completando dez anos, os filhos dos camponeses, iniciam o trabalho nos campos e ajudam nos afazeres domésticos. Mas para Ângelo José não é assim; devido á sua profunda paixão para o estudo, pode continuar a estudar, primeiro em particular, com o pároco de Carvico e depois, como externo, no Colégio em Celana, conseguindo assim terminar o primeiro grau e iniciar o estudo do latim, ao ponto que, no outubro de 1893, dom 12 anos, consegue entrar no Seminário em Bergamo e pode se matricular na terceira serie ginasial. A vocação ao sacerdócio nasce no garoto quase de maneira natural e, quando pontífice, Ângelo José afirmará que "nunca duvidou que a vida poderia lhe mostrar outra sorte" se não aquela de se tornar sacerdote. No Seminário não estuda somente as ciências sagradas, mas também estuda os problemas humanos e sociais que penetram naquele cenáculo através do trabalho duro do movimento católico presente em Bergamo. Ângelo se torna sacerdote. Depois, mais uma exceção, para o jovem seminarista: está tão adiantado nos estudos ( ao terminar o ano 1900, com apenas 19 Angelo Roncalli bambino anos, já está cursando a terceira serie da teologia) que os superiores o enviaram até Roma para se especializar, pelo fato que as leis da igreja permitem a ordenação sacerdotal somente com 23 anos, e no dia 13 de julho de 1904 se forma na Sagrada Teologia. E no dia 10 de agosto, do mesmo ano, na Igreja de Santa Maria in Monte, na Praça do Povo,  Ângelo Roncalli é ordenado sacerdote e, no dia seguinte, celebra a sua primeira Santa Missa na Basílica de São Pedro. Aquele dia, para ele inesquecível, termina com outro bonito acontecimento. Perdido entre a multidão dos peregrinos, o padre se encontra perto do Papa, e o seu acompanhante  o apresenta ao Pio X dizendo: "Santidade, este é um jovem sacerdote de Bergano que hoje de manhã celebrou a sua primeira Missa!" O Papa Angelo Roncalli prima messapara, inclina-se sobre ele e diz: "Que bom, te encorajo a fazer honra aos teus propósitos!" Depois faz mais alguns passos em direção de outros peregrinos, mas logo volta atrás e pergunta: "E quando você irá cantar a sua primeira Misssa na sua cidade?" Respondeu: "Na festa da Assunção, Padre Santo!"
O idoso Pontífice faz um sorriso e acrescenta: "Na Festa da assunção. Já pensou que festa, e aqueles sinos bergamaschi como irão tocar...tocar...!"  E assim no dia 15 de agosto de 1904, Sotto il Monte acolhe em festa o jovem sacerdote para a primeira  Santa Missa. Ao Evangelho o padre Ângelo, do ambão, faz o primeiro sermão! Perto dos seus pés está o sacristão que recebeu o encargo de puxar a sua túnica se a pregação fosse demais difícil; padre Ângelo de fato, depois de tantos anos de estudo, não quer correr o risco de não ser compreendido pelos seus aldeões companheiros. Mas o sacristão não intervem e assim o sacerdote recém ordenado faz uma pausa e olha para ele para pedir um conselho e o sacristão murmura: "Coragem, padre Ângelo, se compreende mesmo tudo. É claro como a água!" 

 

FILHO DE CAMPONESES

Mamma e Papà di Angelo Roncalli

Estas palavras simples e humanas, com as quais o novo Patriarca Ângelo José Roncalli se apresenta aos venecianos no dia 15 de março de 1953, resumem em poucas palavras toda a sua biografia. "Desejo-vos falar com a máxima sinceridade do coração e da palavra. Vos falaram deFratelli di Angelo Roncalli mim coisas que ultrapassam de longe os meus merecimentos. Assim mesmo me apresento humildemente, como qualquer outro homem que vive na terra, provenho de uma família e de um lugar bem determinado: com a graça e uma boa saúde física, com um pouco de sensatez ao ponto de me mostrar logo claro nas coisas; com uma disponibilidade ao amor dos homens que me torna fiel á lei do Evangelho, respeitoso do meu direito e do dos outros, que me faz impedir de fazer algo de mal a qualquer pessoa, ao contrário, que me encoraja a fazer o bem a todos. Venho da humildade e fui educado a uma pobreza satisfeita e abençoada que tem poucas  exigências, que cuida do florir das virtudes mais nobres e mais altas e prepara ás rápidas subidas da vida. A Providência me trouxe da minha cidade natal e me fez percorrer os caminhos do mundo no Oriente e no Ocidente, me aproximando de povos de religiões e ideologias diferentes, em contato com os graves problemas sociais e ameaçadores e guardando a serenidade e o equilíbrio do exame e da apreciação, sempre preocupado de salvar a firmeza aos princípios do Creio católico e da moral, e mais preocupado no que une, do que naquilo que separa e suscita contrastes.    
 
 

PARA SER AMIGO DE TODOS

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Um pastor desde o início. Esta foi a novidade que Ângelo Roncalli levou consigo no seu serviço nos três países aonde as comunidades cristãs eram pobres em número. Um pastor preocupado de construir pontes com todo mundo.

 

NA BULGÁRIA

Angelo Roncalli in Bulgaria

 

No dia 3 de março de 1925, Pio XI nomeou Mons. Roncalli Visitador Apostólico para a Bulgária, com função episcopal e o novo prelado escreve: "Na verdade ser nomeado bispo ou continuar como simples sacerdote é algo para os olhos, mas não é muito bom se suscita contrastes ao espírito de quem busca a glória do Senhor e não o flash evanescente das satisfações terrenas." Mas o espírito ´r tranquilo e a paz está no coração, cumpro a obediência vencendo forte repugnância a deixar certas coisas e a riscar-me em outras. Sim, "obediêntia et pax" eis o meu lema. Assim seja sempre." Sobre este lema episcopal Mons. Roncalli meditou muito tempo e permanecerá durante toda a sua vida o lema mais verdadeiro do seu programa. No dia 19 de março de 1925 é consagrado Bispo em Roma e no dia 25 de abril faz sua entrada em Sófia, capital da Bulgária, encontrando um ambiente que não apresenta nada de bom. Sobretudo passam dificuldades as populações católicas slavas da Macedônia e da Trácia, constringidas pela guerra a deixar suas terras para encontrar refugio na Bulgária aonde se encontraram desnorteadas e sem um líder religioso. Mons. Roncalli logo recebe, no dia após a sua chegada, os líderes das comunidades católicas, que depois visita pessoalmente com muitas viagens em todo o país, levando a cada um a sua ajuda e a sua benção; e um ano depois consegue reunir na fé aqueles católicos, fazendo nomear como Administrador Apostólico para a Bulgária, o abade Estevão Kurtev e dando  á Igreja da Bulgária uma sólida organização.

 

DELEGADO APOSTÓLICO EM INSTAMBUL

Angelo Roncalli a Istanbul

No mês de novembro de 1934 Mons. Roncalli recebe a nomeação de Delegado Apostólico na Turquia e Grécia, com a residência estável em Instambul. Aqui os católicos são ainda menos que na Bulgária e a vida religiosa nestes países não é fácil. Poucos meses depois da chegada em Instambul de Mons. Roncalli, o governo turco adota uma lei para proibir aos sacerdotes de vestir o abito sacro, além disso, na Turquia daqueles tempos, ainda fortemente afetada pelo laicismo do Estado de Kemal Ataturk, o Governo não reconhece oficialmente a existência do representante pontifício, assim o delegado deve sempre ficar na guarda para não riscar de ser acusado de transgredir em qualquer jeito as leis do Estado. Também na Grécia Mons. Roncalli deve fazer as contas com a proibição de toda propaganda religiosa e com o suspeito com o qual são vistos os fiéis de Roma, num país de fechada observância ortodoxa. Mas ele sabe praticar a paciência e a caridade numa medida fora do normal, agindo sempre  com a máxima prudência e conseguindo suavizar não poucas dificuldades. Continua depois a cultivar ativamente as relações de amizade com os representantes das Igrejas ortodoxas, que já tinha praticado na sua estadia na Bulgária. Como escreve na sua despedida de Sófia um religioso de acolá: "Com a sua pessoal ação, a sua  afabilidade, a sua compreensão da situação, ele colaborou eficazmente ao se aproximar dos espíritos, dissipando muitos prejuízos que persistiam em certos ambientes." Na Turquia e sobretudo na Grécia, continua este apostolado ecumênico. Escreve Mons. Vuccino, arcebispo católico grego: "Tudo aquilo que era cristão o atraia!" De bom Angelo Roncalli a Istanbul grado batia ás portas dos mosteiros e das igrejas ortodoxas para admirar e venerar as antigas ícones, os maravilhosos mosaicos, os manuscritos dos tempos antigos. Foi até visitar os monges do Monte Athos, todos surpreendidos de enxergar no meio deles o representante do bispo da antiga Roma. Visita também o patriarca ortodoxo de Constantinopla na sua sede em Fanar e quer dar ás cerimônias católicas uma majestade litúrgica que acolhe e impressiona os irmãos do Oriente. Quando Pio XI faleceu, na catedral católica de Instambul, são convidados para o pontifical em sufrágio do falecido, todos os representantes das igrejas ortodoxas e católicas orientais; o ritual é celebrado com um esplendor nunca visto em Instambul e Mons. Roncalli quer que, terminado o pontifical, as 5 absolvições ao túmulo, um costume para a morte de um Papa, sejam dadas, além de uma sua pessoal, de mais 4 representantes dos ritos orientais.Na tempestade da guerra. Durante a segunda guerra mundial, Mons. Roncalli desenvolve uma ativa obra em favor dos refugiados, dos feridos, dos prisioneiros de guerra; protege as populações e os soldados italianos (depois do dia 8 de setembro de 1943) dos alemães, conseguindo também que  Atenas, como Roma, seja declarada "cidade aberta" das duas partes em luta, salvando-a do bombardeio. Notável a sua esperteza no subtrair aos hebreus á caça hangada que dão para eles as tropas nazistas e a sua intervenção bem sucedida para mitigar o bloco da frota inglesa, nas costas da Grécia que permite a importação de alimentos que salva o povo grego da fome. 

 

A PORTA SEMPRE ABERTA

Angelo Roncalli addio alla Bulgaria

 

No discurso de despedida aos católicos búlgaros Mons. Roncalli manifesta assim todo o seu carinho e a sua dor para a separação: "Segundo uma tradição irlandesa, todas as casas colocam na janela, na noite de Natal, uma vela acesa, para mostrar a Maria e a José, que procuram um abrigo na noite santa, que naquela casa tem lugar para eles. Pois bem, em qualquer lugar eu esteja, também no fim do mundo, se um búlgaro passar na frente da minha casa, encontrará sempre na janela uma vela acesa. Ele poderá bater á minha porta e ser-lhe-á aberta; seja católico ou ortodoxo, ele poderá entrar e encontrará, na minha casa, a mais quente e a mais carinhosa hospitalidade".

 

NA FRANÇA DEPOIS DA GUERRA

Agelo Roncalli nunzio apostolico a Parigi

Na pátria da revolução francesa, os prejuízos contra a Igreja católica eram duros a morrer. E a guerra, logo depois de acabar, os priorizava. Mas a bondade de Ângelo Roncalli conseguiu penetrar também nos corações mais anticlericais. No mês de dezembro de 1944 Mons. Roncalli recebe um telegrama da secretaria do estado: "Venha imediatamente. Transferido para Paris, como Núncio Apostólico. Tardini". Aquele "venha imediatamente" é arrogante. Roncalli viaja logo. E, depois de quase 48 horas  da despedida em Istambul, depois de ter parado em Roma para receber a confirmação pelo próprio Papa, Mons. Roncalli desembarca no aeroporto de Orly. Em Paris Mons. Roncalli mostra logo a sua competemcia  diplomática, unida sempre a uma  grande caridade. A situação da Igreja na frança não é por nada cor de rosa pois o país desde 1939 estava  atravessando um Agelo Roncalli nunzio apostolico a Parigi período entre os mais tristes de toda a sua história: a derrota militar, a ocupação, a resistença, os dois governos nacionais, a libertação...inevitavelmente na hora do triunfo final da resistência todas as instituições sobreviventes debaixo dos alemães são  processadas e, entre elas, também a Igreja: o Núncio Mons. Valeri, os Bispos e as organizações  católicas. Uma propaganda facciosa sustentada de maneira especial pelos comunistas, exaspera os ânimos acusando  a Igreja de conviver com o inimigo alemão, quando na verdade, seja o Núncio que os  Bispos simplesmente procuraram salvar o que podia ser salvo, ajudando também os hebreus e políticos perseguidos a fugir das tropas alemães. Mas o Núncio não limita a sua atividade ao lado do Governo para resolver as questões pendentes  ( um outro problema abordado e resolvido é aquele das subvenções para as escolas católicas suprimidas no ano 1945 ), mas é um valioso reforço e animador da Igreja na frança, nestes difíceis  anos de recuperação depois dos horroros e as divisões da guerra. Anda por todo o país, sempre presente ás cerimônias religiosas e aos encontros dos Bispos e doa  sacerdotes, aos congressos e ás sessões de estudo.

 

AS QUESTÕES POLÊMICAS

Nunzio Roncalli arrivo ad Algeri

 

No ano 1950 visita também os territórios franceses do Nort África e assim resumiu a sua tournée numa carta: "Percorri de carro, durante 38 dias de viagem, 10 mil Km, seguindo o curso da invasão árabe. Desde a Tunísia, passando pela Argélia e o Marrocos... Entre os discursos longos e breves, breves mais ou menos, teve que improvisar cinquenta vezes. E não sofri nada, se não um resfriado durante a visita ao Escorial. Um dia de jejum e de repouso na nunciatura de Madri me devolveu em ação." Na frente das questões dos sacerdotes operários, Mons. Roncalli tem se comportado com prudente espera e, até que ele ficar como núncio, a experiencia pode continuar, mas com as limitações que a experiência lhe aconselha. Um dos seus princípios é que " sem um pouco de santa folia a Igreja não amplia seus pavilhões !" 

 

DINAMISMO E CORDIALIDADE

Nunzio Roncalli a Parigi

 

Nos anos que permaneceu em Paris, o Núncio conquista a França com a sua desarmante cordialidade, a sua simplicidade e com a caridade para com todos, sem nenhuma distinção, ao ponto de chegar a declarar abertamente: "Muitas vezes me encontro para meu ágio com um ateu ou um comunista, antes que com certos católicos fanáticos". Conservava um bom relacionamento com todas as camadas, também com os parlamentares e os homens de governo que pertencem a partidos contrários  á Igreja multiplicando os contatos humanos com a sua conversação brilhante e reconhecida, repleta de calor humano. Durante uma recepção diplomática, por exemplo, o Núncio Roncalli percebe que o abaixador soviético Bogomolov fica á parte com rosto fechado; se aproxima dele e o aborda de um jeito muito inusual para um diplomático: "Excelência - lhe disse - nós lutamos em campos opostos; no entanto temos em comum uma coisa importante: a barriga. Somos os dois redondinhos." Bogomolov sorriu de coração e o gelo quebrou !

CONOSCITORE DI UOMINI

Nunzio Roncalli con i Vescovi Francesi

 

Quando mons. Roncalli lascia la Francia all'inizio del 1953, dopo la nomina a Patriarca di Venezia, tutta la simpatia del popolo francese è con lui. E al pranzo d'addio tocca proprio ad Herriot, un radicale con fama di anticlericale, spiegare le ragioni del prestigio acquistato da Roncalli in Francia: "Il popolo francese non dimenticherà la bontà, la delicatezza del tratto, le prove di amicizia ricevute, avendovi conosciuto non ,soltanto nelle vesti di un diplomatico, ma di un antico che ha visitato la Francia spingendosi fino alle coste africane, studioso di pagine antiche ed insieme conoscitore di uomini. Il popolo francese, non privo di difetti, si lascia sedurre dalla bontà del cuore: tanta bontà ha riscontrato nel Nunzio, questo italiano francesizzato, e a voi si è aperto cordialmente".

Ed il 15 gennaio 1953, quando il presidente Auriol gli impone la berretta cardinalizia, come la tradizione consente ai capi di Stato di alcuni paesi cattolici, l'Eliseo fu teatro di una scena indimenticabile: nel momento in cui Roncalli si inginocchia per ricevere la berretta il presidente fa l'atto di fuggire; poi, mentre il capo protocollo gli lancia occhiate fulminanti, Auriol si china sul Cardinale e gli dice con voce tremante: "No, Eminenza, si alzi, si alzi: ,sono io che debbo inginocchiarmi davanti a lei..."

 

L’UMILE PATRIARCA DELLA SERENISSIMA

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Quando arrivò a Venezia, sperava che la città lagunare sarebbe stata la sua ultima tappa del lungo itinerario al seguito della Divina Provvidenza, cui aveva sempre obbedito. Ma non fu proprio così. Un treno per Roma...

Nel Concistoro del 12 gennaio 1953 Pio XII crea mons. Roncalli cardinale, e lo nomina Patriarca di Venezia, dove fa il suo ingresso il 15 marzo. I veneziani lo battezzano subito "la quiete dopo la tempesta", succedendo al patriarca Agostini, uomo austero e chiuso, asceta e infaticabile lavoratore. All'età di settantadue anni, per il card. Roncalli incomincia una nuova vita ed egli spera che sia veramente l'ultima. A Venezia ha finalmente trovato quello che ha sempre desiderato fin dal giorno della sua ordinazione sacerdotale: il lavoro pastorale immediato, a stretto contatto con i sacerdoti e il popolo.

1957 il patriarca roncalli per le strade di Venezia a colloquio con la genteAppena arrivato in sede si dedica alla visita pastorale, interrotta con la morte del predecessore, e la termina con la convocazione di un sinodo diocesano. Nei cinque anni e mezzo di Patriarcato, erige una trentina di parrocchie e incrementa l'Azione Cattolica; rende a maggior splendore la Basilica d'Oro e colloca nella cripta le spoglie dei suoi predecessori; dota di una più decorosa sede la dimora patriarcale e riordina gli archivi diocesani; è presente, con consigli e ammonimenti nei vari eventi civili, politici e culturali della città. Ritorna anche in Oriente nel 1954, come Legato Pontificio al Congresso Nazionale Mariano di Beirut (Libano), e in Francia, nel 1958, per consacrare la grandiosa Basilica sotterranea di Lourdes dedicata a San Pio X. A Venezia, che lo riporta sentimentalmente all'Oriente, continua pure il suo apostolato ecumenico, cercando i contatti con i "fratelli separati" e partecipando ogni anno all'Ottava per l'Unità delle Chiese con omelie e conferenze, che esprimono tutta l'ansia del suo animo per la questione. "La strada dell'unione delle varie Confessioni cristiane - dice coraggiosamente -è la carità, così poco osservata dall'una e dall'altra parte".

Roncalli patriarca di VeneziaA Venezia il Patriarca Roncalli lascia un ricordo indimenticabile. Il nuovo Patriarca conduce una vita modesta, senza pompa, senza barriere formali; di tanto in tanto compare per le strade e i campielli, accompagnato solo dal segretario, e fa lunghe passeggiate fermandosi a conversare con conoscenti e sconosciuti, tentando anche di esprimersi in dialettoveneziano e facendo amicizia con i gondolieri. Arrivato a Venezia, fa subito sapere che chiunque può andare a trovarlo, senza alcuna formalità, perché, dice, "chiunque può aver bisogno di confessarsi e non potrei rifiutare le confidenze di un'anima in pena". E infatti, secondo un'espressione testuale attribuita da un giornale ad un veneziano, "riceveva senza tante storie anche l'ultimo degli straccioni". Ben presto i veneziani si accorgono che dietro questa semplicità si cela un uomo di straordinaria cultura, un uomo che, come riferisce lo stesso giornale, "aveva tutta una biblioteca nella testa". Il Patriarca Roncalli infatti, cultore di studi storici e conoscitore di diverse lingue estere, ha molto viaggiato e la sua esperienza multiforme gli dà quella sicurezza che incanta tanto i dotti come gli ignoranti.

Quando lascia Venezia per il Conclave, dopo la morte di Pio XII, una grande folla l'accompagna alla stazione facendogli a gran voce gli auguri di buon viaggio e di buon lavoro. La scena è la stessa di 55 anni prima, quando un, altro Patriarca di Venezia, il Cardinale Giuseppe Sarto, parte per Roma per partecipare al Conclave; la folla forse avverte che anche questa volta il Patriarca non tornerà più a Venezia- A giudicare dall'affollarsi in massa dei veneziani per salutare il partente, si direbbe proprio di sì. Per il Cardinale Patriarca invece, come scrive il suo segretario mons. Capovilla, "la calma di sempre... Nessun documento personale con sé; nemmeno il testamento personale che altre volte, sul partire per il Libano ad esempio, o per la Spagna, aveva messo in evidenza". Il Patriarca Roncalli va a Roma tranquillo, una "parentesi" prima di tornare a Venezia, dove ormai pensa di aver trovato il luogo del suo definitivo lavoro e riposo, dopo tante peregrinazioni per il mondo. Ma la Provvidenza ha ancora una volta disposto le cose in modo diverso.

 

L’IMMANCABILE BATTUTA

Roncalli Patriarca di Veneziia

 

L'innato senso di bonario umorismo del futuro Papa può espandersi pienamente a Venezia, nella naturale cornice di una città portata ad apprezzare la battuta pronta. "Per carità, - si raccomanda il Patriarca, - non riferite le mie frasi malcaute!". Ma le sue battute passano lo stesso di bocca in bocca. Un giorno, conversando con uno degli uomini più ricchi della città gli dice: "Lei ed io abbiamo qualcosa in comune: il denaro. Lei ne ha moltissimo ed io non ne ho affatto, la differenza è che io non me ne preoccupo".

Un'altra volta, ad un giornalista che gli chiede cosa avrebbe fatto se avesse potuto incominciare da capo la sua vita, risponde: "Il giornalista". Poi, con un sorriso divertito aggiunge: "E adesso vediamo un po' se lei avrà il coraggio di dirmi che, potendo rinascere, farebbe il Patriarca!" ad un altro intervistatore troppo curioso: "Ma lei sarebbe capace di chiedermi quanti bottoni ha la mia sottana... " .

 

APPRENDISTA

Papa Giovanni XXIII

 

Così parrebbe da uno sguardo superficiale, Angelo Roncalli all'inizio del suo pontificato. Eppure da Giovanni XXIII egli seppe darsi un programma preciso, affrontando impegni gravosi e carichi di grosse conseguenze. Senza mai dimenticare che il primo compito del Papa è quello della preghiera. Se il mondo cattolico fu stupito all'annunzio dell'elezione del Card. Roncalli, di cui poco si era parlato prima del Conclave e poco si conosceva, certo ancor più stupito doveva essere lui, l'eletto, che non pensava certo ad una simile eventualità. Eppure fin dall'inizio, sebbene si definisse amabilmente "un Papa apprendista" e dicesse "lasciatemi fare il mio noviziato", affrontò con la sua consueta calma i primi difficili passi.

Papa Giovanni XXIII urbi et orbiLa sera stessa della benedizione "urbi et orbi", al segretario che gli chiedeva di quali importanti problemi avrebbe voluto occuparsi per primo, rispose: "Adesso mi prendo il Breviario e recito Vespero e Compieta ". Nei due discorsi iniziali del 29 ottobre, suo primo radiomessaggio al mondo, e del 4 novembre, giorno dell'incoronazione, Giovanni XXIII tracciava già il programma ben preciso del suo Pontificato, realizzato poi con grande tenacia. "Vogliamo soprattutto insistere che a Noi sta a cuore in maniera specialissima il compito di pastore di tutto il gregge. Tutte le altre qualità umane - la scienza, l'accorgimento ed il tatto diplomatico, le qualità organizzative - possono riuscire di abbellimento e di completamento per un governo pontificale, ma in nessun modo possono sostituirlo. Ma il punto centrale è lo zelo del "buon pastore", pronto ad ogni ardimento sacro, lineare, costante, sino al sacrificio estremo".

Un programma quindi chiaramente pastorale. Ma anche ecumenico e missionario, volto cioè alla conquista dei lontani: "L'orizzonte si allarga: "ho altre pecorelle che non sono di questo ovile, anche esse bisogna che io le riconduca e udranno la mia voce e si farà un solo ovile sotto un solo pastore (Gv 10, 16). Ecco il problema missionario in tutta la sua vastità e bellezza. Questa è la sollecitudine del Pontificato romano, la prima, anche se non è la sola". E ancora: "Apriamo il cuore e le braccia a tutti coloro che sono separati da questa Sede apostolica. Desideriamo ardentemente il loro ritorno nella casa del Padre comune".

Papa Giovanni XXIIIProgramma infine di vivo interessamento ai problemi dell'umanità, specialmente a quelli della pace e della giustizia sociale: "Ci sia lecito ora rivolgere il nostro appello ai reggitori di tutte le nazioni, nelle cui mani sono poste le sorti, la prosperità, le speranze dei singoli popoli. Perché non si compongono finalmente e con equità i dissidi e le discordie- Perché le risorse dell'umano ingegno e le ricchezze dei popoli si rivolgono più spesso a preparare armi che non ad accrescere il benessere di tutti i ceti dei cittadini, particolarmente di quelli meno abbienti-... Mettetevi dunque all'opera, con fiducioso coraggio e con l'assistenza divina". Innovazioni piccole ma importanti. Fissato chiaramente il programma della sua azione pontificale, Giovanni XXIII comincia dalle piccole cose che, più di tutte, indicano il suo stile.

Al direttore dell'Osservatore Romano dice che "l'alta e nobile parola di Sua Santità " e altre simili formule vanno abbandonate, abroga il divieto di ogni presenza umana nei giardini vaticani, durante le sue passeggiate, fermandosi anzi a parlare con i giardinieri, le guardie svizzere, i muratori. "Ho letto attentamente il Vangelo e non vi ho trovato alcuna prescrizione di divieto al Papa di mangiare in compagnia", dice a chi gli ha fatto notare che i Pontefici consumano i pasti da soli; e da allora alla mensa di Papa Giovanni ci sono spesso prelati ed amici. Papa Giovanni incomincia poi ad uscire con frequenza dalle mura vaticane, anche in questo caso rompendo la tradizione che vuole il Papa quasi isolato all'interno (lei suo piccolo regno. I romani si abituano in breve a vederlo girare per Roma, nelle visite a parrocchie e ad ospedali, alle carceri ed a vecchi amici ammalati; col loro spirito sempre pronto alla battuta, cominciano a chiamarlo "Giovanni fuori le mura".

 

IL PAPA E I BAMBINI

Papa Giovanni XXIII bambini malati

 

Papa BuonoGli incontri del Papa Buono con i bambini sono rimasti famosi. Quando visitò quelli degenti all'Ospedale del Bambin Gesù, si ,sentì chiamare da un piccolo degente: "Vieni qui, Papa, vieni qui, Papa,.. Si avvicinò al lettino e chiese:"Come ti chiami?". "Angelo, Papa". "Vedi, caro piccino, una volta mi chiamavo anch'io Angelo, ma da qualche giorno mi hanno fatto cambiare il nome... Adesso mi chiamo Giovanni" . In un'altra corsia dello stesso ospedale un fanciullo diventato cieco gli disse: "Io lo so che tu sei il Papa, ma non ti posso vedere. Però ti voglio un mondo di bene lo stesso". Negli occhi di Papa Giovanni spuntarono due lacrime e forse per la prima volta rimase senza parola.

  

Papa Giovanni XXIII con la bambina malata di leucemiaMa l'episodio più commovente fu quello dell'udienza concessa alla bambina americana condannata dalla leucemia, che aveva espresso il desiderio di vedere il Papa prima di morire. La bimba indossava l'abitino bianco della prima Comunione e, con le sue guance rosee e paffute, sembrava sanissima, ma poteva a malapena reggersi.

Papa Giovanni le andò incontro, la prese per mano e la fece sedere accanto a sé. Poi "parlarono insieme" per circa tre quarti d'ora: cosa si siano detti in quel lunghissimo tempo, un tempo che il Papa dedicava raramente anche alle maggiori personalità, resta un mistero; tanto più se si pensa all'inglese approssimativo di Papa Giovanni e al poco comprensibile "slang" della bambina americana. Ma le anime, semplici e sante, quella del Papa e quelle dei bambini, si comprendono anche senza tanti discorsi.

 

 

 

 

UNO SPIRITO LIBERO

fPapa Giovanni XXIII uno spirito libero

 

Si capì subito dal nome, Giovanni XXIII, che qualcosa sarebbe andato diversamente nel vecchio mondo della Chiesa. Di Giovanni, nella storia dei papi, ce n'erano stati ventidue. Uno si era chiamato Giovanni XXIII, ma era un antipapa. Perciò, nessun pontefice aveva osato assumere quel nome. Roncallise lo prese, senza paura di confondersi con un usurpatore della cattedra di Pietro.

Papa Giovanni XXIII con il camauroEra la figura esattamente all'opposto di chi l'aveva preceduto. Pio XII era diafano, ieratico, appariva raccolto dentro la sua alta sacralità, pontefice aristocratico, romano, pastore al di sopra del mondo, Pastor angelicus. Di Giovanni XXIII c'è invece, un'immagine splendida che lo raffigura emblematicamente. È quella che lo mostra con in testa il camauro, quel berrettone di velluto rosso bordato di pelliccia bianca, che fa di lui, contadino bergamasco, un placido e sereno pontefice rinascimentale. Se l'era cacciato in testa perché gli tenesse calde le orecchie. (Domenico Del Rio, da "Mondo e Missione" n° 6/2000)

 

LA NUOVA PRIMAVERA DEL CONCILIO ECUMENICO

Papa Giovanni XXIII nomina 23 vescovi

 

Qual è l'immagine un poco abusata che la gente ha di Giovanni XXIII? Quella del Papa bonaccione. Ma è un'immagine che non spiega la personalità di Angelo Roncalli, che era sì buono, ma anche uomo di grande cultura e capace di decisioni che segneranno la vita della Chiesa. Grave errore di prospettiva sarebbe guardare a Giovanni XXIII come ad un Papa che esaurisse nella bonarietà e nella battuta pronta, tutta o gran parte della sua personalità. Non sarebbe stato, in questo caso, un grande Papa.

Mentre in realtà lo è stato, eccome! Basterà ricordare alcuni dei suoi atti di governo più notevoli, per vedere come realmente egli ha avuto un suo preciso piano d'azione, e ha saputo realizzarlo con una rapidità e un'energia che sorprenderebbero anche in uno molto più giovane di lui. Il 17 novembre 1958, l'Osservatore Romano dà l'annunzio che il nuovo Papa, nel Concistoro del 15 dicembre, avrebbe creato 23 nuovi Cardinali, tra cui il primo africano, e di fatto gli stranieri diventano l'assoluta maggioranza rispetto agli italiani: il Sacro Collegio viene così maggiormente internazionalizzato.

ANNUNCIO DEL CONCILIO

Papa Giovanni XXIII annuncio del concilio

 

Ed ecco il 25 gennaio 1959, festa della conversione di San Paolo. Ai Cardinali raccolti nella basilica di San Paolo fuori le mura, Giovanni XXIII annunzia "tremando un poco di commozione, ma insieme con umile risolutezza di proposito" il suo progetto di indire un Sinodo diocesano per la diocesi di Roma, un Concilio Ecumenico per la Chiesa universale e la riforma del Codice di Diritto Canonico (la raccolta di tutte le leggi che reggono la Chiesa latina), preceduto dalla promulgazione del Codice di Diritto Orientale. 1 Cardinali ne rimangono stupiti, letteralmente senza parola, come fulminati da quell'annunzio di imprese tanto colossali che nessuno dei Pontefici precedenti, pur pensandoci qualche volta, si era sentito l'animo di incominciare.

Papa Giovanni lancia quelle proposte prima ancora di averle ben chiare in mente, prima ancora di aver già studiato i piani per mandarle ad effetto; il progetto del Concilio soprattutto, come dirà lui stesso in seguito, non è maturato in lui "come il frutto di una prolungata meditazione, ma come il fiore spontaneo di una primavera insperata"; e, nel messaggio al clero veneziano del 29 aprile 1959, soggiunge: "Per l'annunzio del Concilio Ecumenico Noi abbiamo ascoltato un'ispirazione; Noi ne abbiamo considerato la spontaneità, nell'umiltà della nostra anima, come un tocco imprevisto ed inatteso ".

La sconfinata fiducia in Dio che Giovanni XXIII ha sempre nutrito l'ha portato a rispondere subito all'ispirazione, prima ancora di potersi chiedere come in pratica avrebbe potuto realizzarla. Ma se il primo annunzio è stato quasi timido ed incerto, in seguito l'esortazione del Papa alla preparazione del Concilio non conosce tregua: ne parla ai Cardinali e ai Vescovi, ai pellegrini e ai privati che riceve in udienza, insomma a chi può accelerare la preparazione e a chi proprio non ci può far nulla; a tutti però assegna un compito nella preparazione del Concilio, non fosse altro che quello di pregare: "Non dubitiamo di dire - afferma in un discorso del 13 novembre 1960 - che le nostre diligenze e i nostri studi perché il Concilio riesca un grande avvenimento, potrebbero restare vani, qualora fosse meno concorde e meno deciso questo collettivo sforzo di santificazione. Nessun elemento potrà contribuirvi come e quanto la santità, ricercata e raggiunta. Le preghiere, le virtù dei singoli, lo spirito interiore diventano strumento di immenso bene". Mentre il complesso meccanismo del Concilio Ecumenico macina rapidamente l'immenso cumulo di studi e di carte provenienti da ogni parte del mondo cattolico, mentre commissioni e sottocommissioni, padri conciliari ed esperti compiono un lavoro esorbitante che normalmente richiederebbe ben più tempo, ecco che gli altri progetti del Papa giungono quanto prima a maturazione e vengono realizzati.

Il Sinodo Romano, il primo che si tiene nella città santa dopo il Concilio di Trento, viene svolto nel gennaio 1960. Ecco quindi i lavori per la revisione del Codice di Diritto Canonico che vanno di pari passo con quelli per la preparazione del Concilio Ecumenico, integrandosi a vicenda. E l'attività legislativa di Papa Giovanni non si ferma qui: altre leggi che il gran pubblico forse neppure avverte, segnano un profondo rinnovamento nella Chiesa. Riapre il dialogo con gli anglicani, dopo quattro secoli di odio e incomprensione, bandisce gli atteggiamenti di ostilità verso gli ebrei, facendo togliere dai messali gli improperi contro "i perfidi giudei", proclama il primo santo di colore: un mulatto del Perù, fra' Martino de Porres.

 

QUELLA CAREZZA DEL PAPA

Papa Giovanni il discorso della luna

 

E' la sera dell'11 ottobre 1962, al termine della fiaccolata che conclude la giornata di apertura del Concilio ecumenico Vaticano II. Papa Giovanni in piazza San Pietro, in tono familiare, pronuncia quelle parole che conquisteranno ecommuoveranno il mondo intero: "Cari Figliuoli, sento le vostre voci. La mia è una voce ,sola, ma riassunte la voce del mondo intero: qui tutto il mondo è rappresentato. Si direbbe che persino la luna si è affrettata stasera, osservatela in alto, a guardare questo spettacolo. La mia persona conta niente: è un fratello che parla a voi, diventato padre per la volontà di nostro Signore... Ma tutti insieme, paternità e fraternità e grazia di Dio, tutto tutto...

Papa Giovanni XXIII e i bambiniContinuiamo dunque a volerci bene, a volerci bene così; guardandoci così nell'incontro: cogliere quello che ci unisce, lasciar da parte, se c'è, qualche cosa che ci può tenere un po' in difficoltà... Tornando a casa, troverete i bambini, date una carezza ai vostri bambini e dite: questa è la carezza del Papa. Troverete qualche lacrima da asciugare: dite una parola buona. Il Papa è con noi, specialmente nelle ore della tristezza e dell'amarezza. E poi, tutti insieme ci animiamo: cantando, .sospirando, piangendo, ma sempre pieni di fiducia nel Cristo che ci aiuta e che ci ascolta, continuiamo a riprendere il nostro cammino" . 

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LA FORZA IMMENSA DEL CRISTIANESIMO

 Piazza San Pietro di sera

 

Dove nasce in Angelo Roncalli quello sguardo all'uomo così positivo, così fiducioso nelle sue capacità? Non da un ingenuo sentimento, ma dalla consapevolezza che ciò che c'è nel cuore di ogni uomo è domanda di senso, di Dio. Anche all'uomo che sembra farsi "dio" attraverso il progresso scientifico. Con l'ultima Enciclica, "Pacem in terris", per la prima volta nella storia della Chiesa, il Papa si rivolge non solo ai Vescovi, al clero ed ai fedeli cattolici, ma "a tutti gli uomini di buona volontà": a quanti cioè credono nell'esistenza dei valori naturali che in ogni creatura rappresentano l'impronta del Creatore.

L'Enciclica si fonda, su una visione ottimistica dell'uomo e della storia umana, nella sicurezza cioè che le forze sane dell'umanità tutta rispondano positivamente all'appello pacifico del Vicario di Cristo e che gli eventi della storia umana, guidati misteriosamente dalla Divina Provvidenza, portino sempre più gli uomini ad una visione cristiana della vita, nonostante le apparenze spesse volte contrastanti.

 

UNO SGUARDO POSITIVO

Papa Giovanni XXIII le udienze

 

La grandezza e la straordinaria popolarità di Papa Giovanni provengono, in buona parte, anche da questo suo inalterabile ottimismo nei riguardi dell'uomo e dell'umanità intera, sorretto da una fede intrepida e da un fortissimo senso del divino, che gli permise di andare incontro e di stabilire contatti cordiali sia con i fratelli separati delle Chiese ortodosse e protestanti, che con uomini di altre fedi e ideologie, presentando la Chiesa non come una torre d'avorio chiusa nella difesa delle sue verità ultraterrene, ma realmente come "la casa del Padre comune" aperta a tutti. Giovanni XXIII, fermamente convinto della forza immensa che il Cristianesimo ha in sé, non temeva qualsiasi confronto ed era certo che la dinamica della verità, della libertà e della giustizia, una volta messasi in moto, avrebbe finito per trionfare della malizia e dell'opportunismo degli uomini.

Papa Giovanni XXIII e la tecnologiaPer questo, Papa Giovanni non si spaventò nemmeno di fronte ai mirabolanti progressi della scienza e della tecnica (con un radiomessaggio salutò il volo umano nel cosmo), perché sapeva bene che qualsiasi progresso scientifico e tecnico, per quanto straordinario possa apparire, lascia sempre senza risposta le domande ultime che l'uomo si pone su se stesso e sulle ragioni della sua presenza nell'universo;sapeva che il progresso materiale lascia sempre dietro di sé il vuoto dell'anima che nessun orgoglio umano potrà mai riempire.

IL PROGRESSO NON BASTA

 

Papa Giovanni XXIII con la gente

 

Angelo Roncalli sapeva che i cosiddetti "spiriti liberi" il più delle volte non sono altro che spiriti insoddisfatti, che possono venir riconquistati alla fede e alla speranza solo con la comprensione e l'umiltà, con il sincero apprezzamento della loro dignità umana e della loro buona fede; sapeva che prima o poi il singolo uomo, ed infine tutta l'umanità, dopo aver sperimentato l'ebbrezza effimera che gli può concedere per qualche ora il progresso, sarebbe inevitabilmente tornato alle care e dolci verità antiche, alla fede semplice del bambino e della vecchietta, che da sole valgono più di tutte le macchine costruite da mani dell'uomo, di tutta la sua cultura e di tutti i progressi scientifici e sole possono dare la tranquillità della coscienza e la pace nelle relazioni umane.

 

CON LA MISSIONE SEMPRE NEL CUORE

Papa Giovanni cuore missionario

 

 

Quando il 28 ottobre 1958 fu annunciata dalla loggia esterna di S. Pietro l'elezione al sommo pontificato del Card. Roncalli coloro che conoscevano bene la vita e il pensiero del nuovo Papa furono concordi nel prevedere che Giovanni XXIII sarebbe stato un Pontefice missionario. Se l'inizio ufficiale dell'attività missionaria di Angelo Giuseppe Roncalli risale al 19giulio21, quando è chiamato a Roma dal card. Van Rossum a dirigere l'organizzazione italiana delle Opere Missionarie, il suo interessamento alle missioni risale a ben prima. Il 21 aprile 1961, al termine di una riunione della Commissione delle Missioni preparatoria al Concilio, il Papa disse confidenzialmente che aveva ritrovato alcuni suoi appunti spirituali di quando, quindicenne, studiava al seminario di Bergamo; in essi c'era il proposito di pregare sempre ed intensamente il Signore per i "fratelli separati" e per le necessità delle missioni, poiché, aggiungeva, proprio in quegli anni aveva incominciato ad interessarsi dell'opera missionaria attraverso pubblicazioni specializzate. Nella diocesi di Bergamo, don Roncalli fu animatore solerte della cooperazione missionaria ed è certo per questa sua particolare sensibilità, oltre che per le elette doti di mente e di cuore, che Benedetto XV lo chiamò a Roma nel 1921, nominandolo Direttore dell'Opera della propagazione della Fede in Italia, con l'incarico di riorganizzare l'Opera stessa nel nostro paese.

 

 

LO SPIRITO MISSIONARIO

 

Papa Giovanni XXIII missionario

 

Mons. Roncalli rimase a Roma dal 1921 al 1925, fino a quando, cioè, venne nominato visitatore apostolico per la Bulgaria: quattro anni esclusivamente dedicati alla cooperazione missionaria. In questo tempo ebbe modo di percorrere in lungo ed in largo la penisola, unificando i vari consigli regionali in un unico centro nazionale; visitò anche diversi paesi esteri (Francia, Austria, Belgio, Olanda e Germania) per studiare le forme di cooperazione alle missioni attuate in quei paesi; fondò e diresse il periodico La Propagazione della Fede nel mondo; lavorò per l'allestimento della grandiosa esposizione missionaria che nell'Anno Santo 1925 venne preparata nei giardini vaticani.

Papa Giovanni XXIII missionarioNei suoi scritti di quel tempo, raccolti recentemente nel volume "La Propagazione della Fede", a cura dell'Unione Missionaria del Clero in Italia, rifulge tutto l'amore alla causa missionaria che il giovane sacerdote sentiva ormai con grande intensità. Nei vent'anni, poi, che passò in Bulgaria, Turchia e Grecia, mons. Roncalli conobbe i "fratelli separati" e il vasto mondo dell'Islam; e più tardi, come Nunzio in Francia e Cardinale di Venezia, doveva visitare il Libano, la Tunisia, l'Algeria ed il Marocco, riportandone intense impressioni, come scrisse in una lettera al sindaco di Firenze, La Pira (19 settembre 1958): "Le dirò in confidenza che da quando il Signore mi condusse sulle vie del mondo all'incontro con uomini e civiltà diverse da quella cristiana... ho ripartito le "ore" quotidiane del breviario così da abbracciare nella preghiera l'Oriente e l'Occidente...". In seguito, da cardinale di Venezia partecipò ad alcune manifestazioni missionarie di grande rilievo: il 17 febbraio 1957 pronunziò a Parma il discorso ufficiale in commemorazione di mons. Conforti, fondatore dell'Istituto Missionario Saveriano e nel settembre dello stesso anno prese parte al Congresso Nazionale Missionario di Padova, tenendo vi l'allocuzione finale.

 

IL PATRIARCA A MILANO

Patriarca Roncalli a Milano

 

Pochi mesi dopo, il 3 marzo 1958, il card. Roncalli era a Milano, nella sede del Pime, in occasione della traslazione da Venezia a Milano della salma del Patriarca Ramazzotti, suo predecessore sulla Cattedra di San Marco e fondatore delle Missioni Estere di Milano. In quell'occasione il card. Roncalli pronunziava un importante discorso missionario, ricordando i precedenti della sua vita che gli richiamavano l'amore alle missioni.

Disse fra l'altro: "Rammento la prima volta che la Provvidenza mi condusse all'Istituto delle Missioni Estere di Milano in via Monterosa, nell'autunno del 1910, quasi mezzo secolo fa, per la consegna del crocifisso ad un bel gruppo di missionari in partenza. Nelle conversazioni confidenti con alcuni degli anziani tornati dai campi di evangelizzazione, potei gustare la gioia di quegli incontri... mi sentivo come preso da una tenerezza ineffabile, educando il mio spirito all'ammirazione e all'interessamento più vivo per chi si sentiva chiamato e rispondeva correndo per quella via audace e misteriosa".

QUANDO MUORE UN PAPA

la morte di Papa Giovanni XXIII

 

Sorprese tutti ancora una volta. Come per l'inizio del Concilio, anche la sua malattia fu per il pubblico un lampo a ciel sereno. Che egli seppe vivere offrendola per il bene della Santa Chiesa e per amore di Gesù. Se un anno prima qualcuno avesse detto che il Papa non avrebbe raggiunto l'estate del 1963, probabilmente gli avrebbero dato del pazzo. Papa Roncalli infatti era noto per la sua salute di ferro, da lui stesso più volte serenamente annunziata e le fatiche, i viaggi, i discorsi a cui si sottoponeva incessantemente, passata ormai l'ottantina, non si potevano spiegare diversamente che con il suo ottimo stato di salute.

E' difficile oggi dire quando il Papa ebbe la chiara coscienza del suo inguaribile male, un tumore maligno che gli si era annidato nello stomaco: è certo che imo all'ultimo continuò a lavorare senza risparmiarsi e mai perse il fiducioso ottimismo, che era poi solida fede in Dio e sereno abbandono alla volontà della Provvidenza. II prof. Gasbarrini - archiatra, il medico pontificio, che gli fu accanto di continuo, - così racconta delle ultime giornate: "Più volte nei giorni decisivi l'ho sentito dire: "Sia fatta la volontà del Signore". Ed ancora: "Caro professore, non si preoccupi, io ho le valigie sempre pronte. Quando sarà il momento di partire non perderò tempo". La coscienza lo abbandonò completamente solo alla fine, ma per molti giorni, nei momenti di lucidità, poté leggere i giornali, intrattenersi con i visitatori, occuparsi persino del governo della Chiesa. Sul finire, ebbe spesso dolori lancinanti, che sopportò con grande coraggio. Il 3 giugno, lunedì, alle sette e mezzo di sera, eravamo riuniti nella cameretta accanto; di fronte al televisore assistevamo muti alla Messa solenne che il Card. Traglia stava celebrando sul sagrato di San Pietro, davanti ad una folla immensa e silenziosa. Ogni tanto, udivo il respiro affannoso di Giovanni XXIII, sempre più debole e fioco. Tornai accanto al suo letto e gli presi una mano fra le mie mani. Già da qualche attimo il battito cardiaco non si avvertiva più al polso. Mi chinai sul suo cuore. Nell'istante stesso in cui, rialzando la testa, mormoravo: "E' spirato", sotto, nella piazza, la funzione si chiudeva con le parole "Ite, Missa est". Le udii chiare, distinte, mi parvero simboliche. Un viatico celeste all'anima di un Papa incomparabile. Avevo gli occhi pieni di pianto. In quel momento qualcuno accese nella stanza una gran luce".

1 Il redattore di questo passo crede opportuno aggiungere questa nota. Che Papa Giovanni XXIII fosse al corrente della sua salute poco buona mi pare lo provi questa annotazione del Giornale dell'anima al numero citato nel giorno dell'apertura del Concilio Vaticano II.

 

11 OTTOBRE 1962

11 ottobre 1962 apertura del Concilio

 

Questa giornata segna l'apertura solenne del Concilio Ecumenico. La cronaca è su tutti i giornali, e per Roma è nei cuori esultanti di tutti. Ringrazio il Signore che mi abbia fatto non indegno dell'onore di aprire in nome suo questo inizio di grandi grazie per la sua Chiesa santa. Egli dispose che la prima scintilla che preparò, durante tre anni, questo avvenimento uscisse dalla mia bocca e dal mio cuore. Ero disposto a rinunziare anche alla gioia di questo inizio.

Con la stessa calma ripeto il fiat voluntas tua circa il mantenermi a questo primo posto di servizio per tutto il tempo e per tutte le circostanze della mia umile vita o a sentirmi arrestato in qualunque momento, perché questo impegno di procedere, di continuare e di finire passi al mio successore. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra [Sia fatta la tua volontà come in cielo così in terra].

P. Piero Gheddo (P.I.M.E.) sulla vita di Papa Giovanni nel numero unico di ottobre 2000 del mensile "Missionari del P.I.M.E."

 

 

 

 


 

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